quarta-feira, agosto 08, 2007

Liberdade


imagem daqui

Não é novidade nenhuma para mim. Aliás este blog nunca foi farto em novidades. É antes, mais um registo, daqueles que me são urgentes. E já fico muito satisfeita que alguma coisa seja urgente registar aqui ao final de 2 meses de inactividade. Tomo portanto este laivo de vida como um sinal positivo de reconciliação com a minha capacidade de expressão básica. É exactamente, sobre elementos básicos que se fundamenta a minha ideia e a vontade de a traduzir em palavras escritas.

Já tinha confessado aqui em tempos, que me emociono sempre com a cena de um filme que vejo e revejo com frequência por ordem dos meus filhos. O voo do hipogrifo sobre o lago no Harry Potter – O Prisioneiro de Azkaban. Quando digo emocionar, é emocionar mesmo, com pêlos dos braços a levantar, nariz a formigar e lágrimas a chegar aos olhos. Claro que é uma situação patética de que nem sequer me orgulho, mas é um facto por mim, pelos meus filhos e alguns amigos, comprovado. Curiosamente, ninguém aproveitou a situação até ao momento, para gracejar.

Ontem, ao telefone com uma amiga, numa daquelas conversas em que se gastam palavras até ao limite máximo da nossa capacidade de resistir ao sono, atento pela primeira vez a uma pergunta repetida seguramente, 3 ou 4 vezes consecutivas: Tas aí? Tinha-me alheado da conversa. Atrás do meu olhar, tinham ido todos os meus sentidos para o ecrã da televisão. Um grande plano de um voo de morcego num imenso céu que nem sequer era azul, tinha concorrido e ganho ao interesse nas palavras que se trocavam.

Ao longo deste tempo tenho descodificado este fascínio que me suscitam estas cenas de voo sempre com grandes asas e um céu imenso e cheguei a uma conclusão que em nada me surpreende e que tal como disse ao princípio, representa afinal, um elemento básico de espaço e fertilidade.

Liberdade.


domingo, junho 03, 2007

Gente Boa

Saltaram-me as lágrimas quando me deram a notícia, ontem, ao final do dia:

O Nelson morreu.

Eu sei que o sofrimento tinha que acabar. Eu sei. Mas, porra!... que tristeza tão grande!... tão difícil de canalizar, ordenar.

Não sou capaz de contribuir com coisa alguma para o consolo da sua família. Não sei sequer, se sou capaz de me aproximar.

Só sei que perdemos todos, um homem bom.


domingo, maio 13, 2007

Ausência, mais uma

Às vezes, quando me detenho a observá-los nos seus movimentos ou quietude, tenho a nítida sensação que retenho registos na memória que me acompanharão daí para a frente, tal como da primeira vez em que os observei a dormir nesta casa. Estes momentos têm sido a minha principal fonte de vida.

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Não me consigo arrepender de nada que tenha feito ou deixado de fazer, de nenhuma opção que tomei. Contudo, encontro-me numa fase de vida que me impele para uma espécie de isolamento, uma absoluta concentração. Este blog vai continuar inactivo como tem estado. Sei que decepciono os meus leitores habituais. Tento redimir-me com a garantia de que voltarei um dia, mais activa. Beijinhos a todos.

domingo, março 25, 2007

Uma lição de humildade

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foto aq (editada)

Não tens que pedir desculpa por ter sido a melhor. Não foste sequer tu, quem promoveu a competição. Apenas estás inserida por iniciativa alheia, no grupo. E, mais importante do que teres ganho as melhores posições, foi a humildade com que o fizeste.

É sobretudo, disso que me orgulho.

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Há contextos da nossa vida, períodos, fases, em que nos sentimos, mais ou menos satisfeitos, integrados, confortáveis. Dou-me conta que atravesso uma fase de desconforto, sobretudo, no que diz respeito à minha rede de relacionamentos, os relacionamentos do dia-a-dia. Está longe de mim, à distância de muitos km(s), a família e alguns amigos, daqueles amigos de uma vida inteira.

O desconforto a que me refiro é causado por uma abismal diferença de valores, de princípios, em suma, de referências orientadoras do nosso comportamento. É uma diferença tão grande, que me faz sentir isolada, individualizada, inadaptada. Esta sensação abana a minha própria estrutura, faz-me sentir diferente, quase anormal. Não são poucas as vezes que questiono se fui eu que estive mal, em determinada situação.

Para continuar a sentir-me integra, tem sido necessário muita perseverança e a procura da minha identificação junto daqueles que há muito são meus semelhantes, na família e nos amigos de longa data.

Ontem os meus filhos participaram num campeonato regional de Karate. Nenhum deles, estava muito entusiasmado. A escolha desta modalidade desportiva, foi iniciativa do pai e desde os 5 anos que os três a praticam. Nunca me opus, muito pelo contrário, sempre os encorajei a continuar, quando se desmotivam. Ontem a minha filha do meio ganhou o primeiro lugar da classe dela numa competição, e o segundo lugar, noutra.

Na competição em que ela ganhou o primeiro lugar, até chegar à final, houve 5 eliminatórias. Numa das últimas eliminatórias, competiu com uma menina visivelmente enervada. A determinada altura do exercício, a menina enganou-se nos movimentos de defesa e bloqueou, sem saber o que fazer. Vieram-me as lágrimas aos olhos com a reacção da minha filha: Abrandou o ritmo dos movimentos de ataque, esperando que a adversária correspondesse com os movimentos de defesa e como tal, não aconteceu, indicou-lhe por voz e por gesto como se deveria defender. Valeu-lhe um forte aplauso do público antes mesmo, do júri levantar a bandeirinha da vitória.

No meio da plateia, sozinha, sem que ninguém soubesse que aquela menina era minha filha, parecia que o meu peito rebentava de orgulho. Experimentei a mesma sensação, quando na final da outra competição foi eliminada, e no momento em que o júri deu a decisão, ela aplaudiu a adversária, atitude pouco frequente até mesmo nos atletas mais velhos. Quando tudo acabou e nos juntámos todos eram já 22.30h, sentia-se constrangida por os irmãos não terem ganho nenhuma taça.

Esta minha filha tem 9 anos de idade. A esta, não costumo ensinar a “dar o seu melhor”. Tenho-me preocupado sempre mais, a ensiná-la a ser humilde, face aos bons resultados que consegue em tudo o que faz. Contudo, nunca lhe disse como devia proceder em campeonatos de Karate. O seu comportamento de ontem foi da sua inteira responsabilidade.

Para mim foi sobretudo, uma lufada de ar fresco neste desconforto que tenho sentido ultimamente.

quinta-feira, março 22, 2007

Imaginário

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foto aq (editada)
Vila Nova da Barquinha 2007

quarta-feira, março 21, 2007

Relacionamentos

Pergunto-me se sou eu que ando mal relacionada, se sou eu que sou uma inadaptada.

Seja a interrogação uma ou outra, o pronome pessoal na primeira pessoa do singular é a constante, o que faz de mim o sujeito em questão, a pessoa responsável.

Responsabilidade é sinónima de culpa e lá estou eu de novo, carregando a culpa às costas.

Vira esta questão uma pescadinha de rabo na boca, quando me lembro que para haver relacionamentos, são precisas mais do que uma pessoa.

Onde está afinal, a culpa e a responsabilidade dos outros? Quem a encontra?

quinta-feira, março 15, 2007

Sapos grandes

Maria dos Anjos apercebe-se que a sua colega de trabalho age incorrectamente. Como não chefia a colega e não são amigas chegadas, entende que não deve opinar sobre o seu comportamento.

Maria dos Anjos é chamada a uma reunião de direcção. A sua colega, também. São ambas alertadas, não a propósito do comportamento da colega, mas no geral, a propósito de atitudes assim tipificadas, no sentido de serem evitadas.

Se Maria dos Anjos reagisse à chamada de atenção, denunciava a colega, por isso, resolveu engolir um sapo. Duas horas depois, ainda o sapo não tinha chegado ao estômago. Coaxava que se fartava, queixando-se.

Maria dos Anjos já conseguiu aprendeu que é sinal de maturidade e racionalidade, em determinados contextos, usar da palavra apenas e estritamente quando é necessário, por isso conseguiu calar-se.

Mas, Maria dos Anjos tem dificuldades de aprendizagem. Sobretudo, não consegue aprender a calar-se sem que isso lhe faça doer o estômago. Literalmente, doer.

Não sei se haverá plano individual de aprendizagem que lhe valha.