quarta-feira, janeiro 07, 2009

Os todo-poderosos da estrada

É curioso observar como consegue o Homem, com tanta facilidade, encontrar situações e contextos, em que se posicione em lugar de destaque ou seja, mais poderoso do que os outros.

Um desses lugares, uma dessas posições é sentado a mais de 1m de altura, com um volante nas mãos, dentro de uma cabine sobre rodas, num imponente camião, tal e qual, como se fosse um trono.

Faço todos os dias um percurso (o que está a roxo) e de cada vez que me cruzo com um veículo grande (às vezes, nem são assim tão grandes, basta serem maiores que o meu) raras são as vezes (aliás, só me lembro de uma) em que não tenho que levar o pé ao travão, para não colidir com ele (quando fazem qualquer um dos percursos assinalados a azul).

Fico sempre, com a sensação que me cruzei com o senhor todo-poderoso, a quem devo ser submissa e dar passagem (sob pena de por em risco, a minha vida e a dos meus filhos).

Raios os partam!

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Colo de Pito


Foto daqui

É mesmo verdade.

Conheci hoje uma pessoa que me disse ser de Colo de Pito.

Primeiro, pensei que tinha ouvido mal. Depois, pensei que estava no gozo. Mas, lá tive que mostrar alguma convicção (sempre com a sobrancelha arqueada) face à seriedade das palavras que ouvia (é que nem um leve esboço de sorriso matreiro, vi no rosto do homem).

Cheguei a casa e fui verificar. E não é mesmo, que estive a falar com um Colopitense?

(sempre gostava de saber como se denominam as pessoas que nasceram em Colo de Pito)

Então, claro… dei asas à imaginação. Como será o atendimento telefónico na junta de freguesia:

- Colo de Pito, bom dia! Em que posso ser útil?

À entrada da aldeia, o placard de boas vindas:

Colo de Pito, saúda-vos.

Ou então:

Bem-vindo a Colo de Pito.

(reparem bem no pormenor "colo de" - sugero-nos uma preposição, de posse ou de lugar, não sei bem)

A navegar pelo site descobri ainda, que os Colopitenses são imagine-se, machistas. Nesta outra página, fornecem-nos um quadro de dados sobre o género e idade da população. Numa coluna, a quantidade de população, de ambos os géneros. Na outra a seguir, a quantidade de homens. Se quiseres saber a quantidade de mulheres, faz a conta, ora!

Acho justo. Com tal protagonismo feminino no nome escolhido para a aldeia, tinham as mulheres, que ser penalizadas noutra medida.

Mas, nesta minha pequena investigação, aprendi também que o significado de “pito” não se prende apenas com o aparelho genital feminino. “Pito” é também um "pequeno ralhete" no Brasil e ainda, "o âmago podre da fruta", na genuína lingua portuguesa. Pois.

Então, imaginem os brasileiros:

- Ô minino!... tou cansada de dar pito pra você! Ôce si porrta mal, pa caramba!

Ou então, nós por cá, com a fruta:

- Esta fruta está estragada. Tem pito.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Último post de 2008...

... só para desejar


Ano Novo - Recados Para Orkut

quarta-feira, dezembro 24, 2008

terça-feira, dezembro 23, 2008

Porque hoje é dia 23 de Dezembro...

... (estamos quase no Natal) e eu estou bem disposta, deixo-vos com este animado DJ.

sábado, dezembro 20, 2008

Provações


foto daqui


Recostada no sofá, frente à televisão, de manta enrolada às pernas, cabelo desgrenhado e vestida impropriamente, para sair à rua, Maria dos Anjos dissimula o mundo onde se encontra. Quem a vê pensará que se encontra num momento de lazer e descontracção, vendo determinado programa na televisão. Com um sorriso estúpido desenhado no rosto, sente-se protegida pelo disfarce e conta que ninguém lhe diga nada, que ninguém a faça regressar do universo onde na verdade, se encontra.

Deambula imperceptível, por entre gente de meia-idade sem tocar com os pés no chão, observando silenciosamente, como se fazem verdadeiramente, todas as observações.

Reflexivamente.

Uma mulher nua observando-se ao espelho. Ora de frente, ora de lado. Pende-se ligeiramente, para baixo e aperta uma prega de barriga entre os dedos, medindo-lhe a espessura. Endireita-se desanimada, sustem a respiração insuflando o peito e encolhendo a barriga. Não satisfeita, vai lá com as mãos palmando o ventre contra as costas. Expira longamente e pensa: Porra! Estou descomunal. Consola-se levando o seu pensamento enquanto se veste, para aquele vestido azul, comprido, quase até aos pés, em que se conseguia enfiar há uns anos atrás. O sucesso que fazia com ele.

Ressonância: FAZIA, Fazia, fazia…

Um pai divorciado entra em casa onde o aguardam os seus filhos pré-adolescentes. Porta dentro, dissimulando constrangimento, mentalmente preparado para se confrontar com as observações dos miúdos. Não foi preciso muito tempo para que eles disparassem em uníssono: Ò, pai! Furaste as orelhas?! Perde 10 cm de altura, sente um súbito calor rubrar-lhe as maças do rosto (afinal, não estava mentalmente preparado) e demoradamente, reage: Então?! Não fico giro? Os miúdos, sem conseguir proferir palavra perceptível, desmobilizam cabisbaixos, em todas as direcções, deixando para trás um homem sozinho, abandonado e inseguro. Um dos filhos volta atrás e informa: Não me vais buscar à escola assim, ouviste? Fonix! – Acrescenta.

Ressonância: OUVISTE, Ouviste, ouviste…

Um homem sentado nuns degraus junto ao mar, conversa com uma mulher com quem estreita laços. O estreitamento de laços é tão embrionário que a conversa tem pano para mangas. Final de tarde, pôr-do-sol, começa a esfriar e a conversa naquele cenário, já soma horas. O homem propõe, sedutor, decidido, atencioso, que se escolha outro local para continuar a conversa. Talvez aquele barzinho construído em madeira, onde já se acenderam as luzes amareladas que se vêem daqui. Parece-lhe um cenário alternativo àquele, pertinho do mar, com o som de fundo das ondas a desfazer-se na praia. Tão romântico. Aceite a proposta, a mulher levanta-se, prontamente. Ele tenta. As pernas não obedecem. Tinham enrijecido com o frio e a imobilidade. Ao final de duas ou três tentativas a mulher resolve ajudá-lo, puxando-o por um braço. O homem consegue manter-se de pé, equilibrando-se com esforço, tremelicando sobre duas pernas flectidas, frágeis, vacilantes. Apoia-se no ombro da mulher, demorando-se a dar literalmente, o primeiro passo. À mente, surge-lhe a vontade: … de desaparecer daqui.

Ressonância: DAQUI, Daqui, daqui…

Uma mulher vai à festa de anos do sobrinho, ainda criança. Activa e empreendedora. Sempre foi uma mulher activa, com iniciativa, bem-disposta. Uns quantos miúdos à volta de uma mesa cheia de guloseimas começam a promover brincadeiras, cada vez mais desenfreadamente, desajustadas ao espaço onde se encontram. A situação começa a fugir ao controle dos adultos que estavam de serviço como tomadores-de-conta-de-crianças-em-dia-de-festa. A mulher, prontamente, sugere que se vá jogar um jogo para o quintal, aí sim, poderiam correr, cansar-se e perder as forças. Futebol Humano – grita logo uma das crianças. Com tal força sugestiva, nem se questiona nada: Futebol Humano, será. Fazem-se duas equipas: adultos contra crianças. Grande entusiasmo e começa o jogo. As risadas são uma constante e tem que se correr. Ao final de alguns minutos (poucos) a mulher sai de jogo. Desmoralizada, descobre que já não tem esfíncter uretral que aguente simultaneamente, risos e correrias. Propõe-se por isso, fazer de árbitro.

Não há ressonância nenhuma.

Alheia, às razões porque tais pensamentos ecoam na sua mente e porque assim se constroem, Maria dos Anjos distingue-se deles, à voz usurpadora: Então, não tinhas dito que ias para o computador? Reage prontamente: E vou. E vou. Levanta-se do sofá e caminha devagar para o computador. Está capaz de enfrentar de novo, o desafio de escrever.

Experimenta um título: Crises de meia-idade.

(cinco minutos a olhar para o título)

Experimenta outro título: Ressonâncias.

(quieta)

Apaga os títulos anteriores e decide: Provações.


sábado, janeiro 26, 2008

Há quanto tempo...

Há tanto tempo não entrava aqui, que vacilei nos dados a introduzir para iniciar sessão e entrar no editor. Fico satisfeita por ter conseguido à primeira tentativa, apesar da hesitação.

A sensação que tenho é que estou a entrar insegura e timidamente, numa sala cheia de gente na esperança de encontrar caras conhecidas. Olho por isso em meu redor, sem saber muito bem como me comportar. Não sei o que fazer com as mãos, nem consigo desmanchar este sorriso estúpido que me contrai os lábios.

Sinto-me tão desconfortável que vou cumprir o meu objectivo e raspar-me daqui para fora.

UM EXCELENTE ANO DE 2008!!!!!

(o pessoal todo a olhar para mim de esguelha)

Eu sei que estou atrasada, mas carago!... Janeiro ainda não chegou ao fim e o meu voto é sincero, do mais que há.

Andei a dar uma vista de olhos pelo que aqui se publica e curiosamente, mais do que as palavras, despertaram-me interesse, as imagens.

No primeiro caso, O ABRAÇO que a Riacho tem vontade em dar a todos por quem tem carinho (quase consigo imaginar o cuidado que tiveste na escolha da mensagem de votos de um bom ano). Aceita o meu abraço apertado e demorado (não consigo prever a figura triste que faria se te pusesse a vista em cima, de tanta alegria que sei, ia sentir).

No segundo caso, a mensagem do Tuga, o meu vizinho ribatejano, que faz experimentar sentido no conceito de “todos diferentes, todos iguais”, no vídeo que publica no dia 5 de Janeiro.

Actualizo assim o meu blog. Eu sei que é pouco, mas sempre vou dando sinal de vida (mais descansada, Keratina?).

Não faço ideia quando volto, mas volto.