domingo, janeiro 14, 2007

Ainda às voltas com a minhas indefinições...

... lembrei-me desta música:

The Who - Behind Blue Eyes



Agora, também numa versão mais açucarada:

Limp Bizkit - Behind Blue Eyes



Composição: Pete Townshend (The Who)

No one knows what it’s like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes

And no one knows what it’s like
To be hated
To be fated
To telling only lies

But my dreams, they aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That’s never free

No one knows what it’s like
To feel these feelings
Like I do
And I blame you

No one bites back as hard
On their anger
None of my pain an’ woes
Can show through

But my dreams, they aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That’s never free

Discover L.I.M.P. say it (x4)

No one knows what its like
To be mistreated
To be defeated
Behind blue eyes


No one knows how to say
That they’re sorry
And don’t worry
I’m not telling lies

But my dreams, they aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That’s never free

No one knows what it’s like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes.

sábado, janeiro 13, 2007

Talvez eu soubesse o que isto é

Ah!... quem me dera ser capaz de dizertudocomoosmalucos. Ter habilidade para o fazer, arte e graça. Avizinhar as minhas letra e alma. Torná-las próximas, amigas. Dar-lhes igual cor, igual forma. Geminá-las.

Talvez, depois ao ler-me, eu soubesse o que isto é. Este balancé de sensações em cujo eixo estás tu. Revoltas-me as entranhas, essas mesmas, onde tu queres entrar. Turbilhonam-me enfurecidas. Quando as tuas narinas sem pudor, procuram o odor do meu pescoço. Esse mesmo, que tu reconheces teu e não encontras na pele de outra mulher. E logo a seguir, quando as minhas entranhas vão acalmando em sintonia com os ponteiros de um relógio, comove-me esse desencontro. Comove-me o teu olfacto à minha procura. Comovo-me eu, connosco.

Ah!... tenho tanto pena. Tanta pena de não sermos capazes de fazer bem um ao outro. Tanta pena de não ser capaz de manter pacíficas as minhas tripas, o meu estômago, coração, sangue, tudo o que de mais elementar eu tenho debaixo da pele. Pensar, ordenando ao meu cérebro: Quieto! Não pensa! Não mexe! Não sente! Não faz nada!

Até eu perceber que raio de merda é esta. Porque nenhum dos meus sentidos, órgãos, nadinha de mim, compreende o que se passa aqui.

Serei eu a fugir ao inevitável, procurando todos os artifícios, todas as estratégias, intimada pelo meu sistema de defesa, pela minha memória mais viva, responsáveis pelo envio constante de sinais de alerta?

Serás tu, na tua qualidade de grande predador, dominado pelo olfacto, pela textura da minha pele, pelo tamanho do meu corpo, pelo hálito da minha boca?

Será que eu nasci para ti? Que tu nasceste para mim? E que nenhum de nós sabe como construir em cima dessa terra?

Será, porra!... que nunca hei-de perceber o que se passa aqui?
E será... que isto, seja lá o que for, tem que causar tamanho sofrimento?

Transparências II

(registo recolhido directamente do meu pensamento - não editado)

Se tiver que ser.
Se tiver que decidir.
Não tenho dúvidas.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

O enjeitado

Rosto queimado pelo sol. Olhos fundos, negros, baços. Franzino nos seus 16 anos. Cabelo ondulado, empastado em gordura por dias e dias sem lavagem. É frequente vê-lo com sapatilhas rotas, ou sapatos com 2 ou 3 cm a mais do que deviam. É este o aspecto rápido de ver, do jovem mais delinquente lá da pequena aldeia.

Passou pelo infeliz momento, na aldeia, mais alcoviteira de todas as aldeias, logo a seguir à infância, que é quando nos começam a responsabilizar pelos nossos actos, tendendo a não desculpabilizar os menos bons… passou pelo infeliz momento, foi assolado pela infeliz ideia, de tentar o seu primeiro roubo. Teve sorte. Apenas teve sorte, a avaliar pela ausência do plano do roubo. Safou-se. Confundiu sorte com habilidade e tentou de novo.

Curiosamente, desta vez planeou, foi menos desajeitado mas, falhou a sorte. Num particular dia, em específica ocasião, um alarme sempre desligado, foi ligado à hora do almoço. Lixou-se. Bastou que tivesse saído do buraco onde se escondeu antes da loja fechar, para fazer accionar o alarme. Ficou preso lá dentro até a polícia chegar. Dizem, dizem as más-línguas, que quando abriram a porta estava pacientemente, encostado aos sacos da ração, com as mãos nos bolsos. Digo, digo eu, adivinhando-o e cedendo à vontade de romantizar esta história, este protagonista, que sorriu à primeira pessoa que apareceu à porta.

Ficou marcado, como se marcam animais com ferros quentes, o pequeno jovem. Hoje, não há módico crime que aconteça na mais alcoviteira de todas as aldeias, a que não lhe seja atribuída autoria.

Desvio os olhos desta folha e reparo nele sem que perceba, já que se encontra de costas voltadas para mim. Claro que não faz uma pequena ideia de que o meu pensamento neste instante, nos que antecederam e nos que ainda faltam, é exclusivamente, dele. Reparo na mão direita sobre o rato, nas unhas contornadas a sujidade. Sigo o movimento do rato no monitor do pc: Arruma imagens que foi buscar à Internet na pasta que acabou de se criar para ele. Junta-as uma a uma. São dele. Conforme juntou ontem, escritos num pedaço de cartão, endereços de correio electrónico que adicionou hoje, mal chegou, à conta que lhe criei. São dele. Vai proteger atentamente, escrupulosamente, as imagens e os endereços. Tão atentamente e tão escrupulosamente como quem estima o último carro que comprou, ou os sofás em pele, o home cinema, o telemóvel topo de gama ou as sapatilhas de marca.

Temos uma história, eu e ele, muito cúmplice, vivida no último verão, que não vou contar agora. Foi com base nessa história que ontem, o convidei para se sentar ao pé de mim depois de ter aceite o meu convite para conversarmos um bocadinho. Afinal, não conversámos. Fui só eu que falei. Ele esteve sempre calado, com os olhos postos em mim. Nunca os baixou. Por isso, os vi brilhar. Brilhar muito. Brilhar até ao limite das lágrimas que ele conseguiu travar. Eu, consegui travar o abraço que se imponha naquele momento.

Uma das maiores surpresas da minha vida, seria este miúdo desiludir-me.

A primeira interrogação de 2007

(feita no dia 1, pouco tempo depois de acordar - eu sei que estou atrasada)

Que é aquilo ali ao longe?



Hum!... Cilos?!

É porreiro, quando se obtêm respostas assim, tão rápidamente.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Tempo

Consigo finalmente libertar-me do Tempo que avança velozmente a passos largos e me arrasta, porque não lhe consigo acompanhar a passada, nem vontade tenho de o seguir, segura não sei por que parte do meu corpo. Provavelmente pelo estômago que tal como um motor cansado, fumega quente, no seu limite. Penso: O meu cérebro deve ter delegado ao meu estômago, o esforço da motricidade. Estúpido, que não lhe percebe a ilicitude da função. E o estômago coitado, que aceitou tarefa que não lhe competia.

Livre, olho-o a afastar-se, nem mais nem menos ligeiro, como se não tivesse dado conta que me deixou para trás. Sorrio quase convencida que o enganei. Escapei-lhe agora, neste preciso momento, para conseguir vasculhar na minha memória 4 datas, neste mês de Janeiro, que preservo como especiais e do resultado da cata que farei, pretendo deixar registo. Pretendo, mas não é o que farei. Porque sei, não tarda nada, o Tempo dá-se conta que me deixou escapar e voltará atrás. Enquanto vai e volta, descansa-me o estômago e somo linhas nesta folha branca.

Faz hoje 31 anos, ao descer as escadas do avião que me tinha trazido de Moçambique, senti na pele o frio mais frio que alguma vez tinha experimentado. Vestia uma mini-saia e uma blusa em voile. A minha mãe já não se devia lembrar como era o clima da metrópole, em Janeiro. Lembro-me que a caminho de casa, no táxi onde fui transportada com o meu irmão, agitava o corpo sentado no banco, olhando tudo em meu redor. Fascinei-me particularmente, com os eléctricos e com o chão calcetado, duas novidades na minha vida de menina com 11 anos.

Fez ontem 48 anos um homem que me deixou julgar minhas, todas as cores, num período em que predominavam os tons cinzentos. Um homem com quem me perco a “discutir conversas” e que não permite que o meu cérebro delegue funções a outro órgão, porque sem se dar conta, me consegue resgatar ao Tempo.

Faz amanhã 44 anos o homem que escolhi para juntos, termos filhos. Foi uma escolha acertada… essa, de ter filhos com ele. Não gosta deles, menos do que eu. Vivi com ele 19, dos 43 anos que já somei.

Faz no próximo Domingo, 12 anos que nasceu o meu primeiro filho e que dividiu a minha vida em 2 partes: Antes e depois. Com ele vivenciei todas as “primeira vez” da minha condição de mãe. Muita coisa me passou ao lado, tão ansiosa estava no meu papel, mas aquelas de que consegui ter percepção, foram vividas extasiadamente. Hoje, mais tranquila, mais quieta, sei no entanto, que voltaria a fazer tudo igual, porque na mesma e ainda, a cada situação nova, vacilo na tomada de decisões, se a elas houver lugar. A diferença é que agora, me são devolvidos todos os resultados, por ele mesmo.

Preocupam-me, é verdade, as marcas que as pressões de várias ordens, deixam na minha vida, na dos meus filhos, no meu carácter e no deles. A falta de disponibilidade faz-me sentir sobretudo, muito desorganizada. Mas também me faz sentir em falta.

domingo, janeiro 07, 2007

Candeeiro I


foto aq
Ribatejo 2007