Esta manhã acordei com o som da minha voz arrastada: tentava expulsar de minha casa uma pessoa que nunca cá deixei entrar. Não estranhei o disparate de sonho. O que estranhei foi lembrar-me dele.
Esta tarde, expulsei de facto, uma pessoa. Não, de minha casa. E não o mesmo protagonista. Mas, expulsei.
Esta noite, agorinha mesmo, relacionei as duas coisas e não me agradou nada.
Abalou-me a ideia que tenho vindo a formar ao longo da vida, em relação aos meus sonhos (agradáveis ou não): Nunca aconteceu nada que tivesse previamente sonhado, logo, podia estar descansada, podia sonhar descansada. Mais… era uma espécie de garantia e alívio, sonhar com alguma coisa desagradável ou estranha: seria sempre inconsequente.
Devia ter adormecido antes de “agorinha mesmo”, antes de relacionar as duas coisas. Certamente, amanhã já não me lembrava nem de uma, nem de outra.